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Paula Cury. Contos. Memórias. Poesias e o que mais vier
 

 

Mudança de casa. Agora estou no www.brindesulfurico.zip.net

Aguardo por vocês.

Beijos e abraços (escolham.rs)

Paula



 Escrito por Paula Cury às 00h25 [] [envie esta mensagem]



 

Imagino, se estivesse sentada em algum canto escuro, observando as
paredes vazias, esperando meu nome sair de algum buraco perdido na
escada. Continuaria sentada, como surda, sem entender descer ou
esperar você  subir e abrir a porta para entrar no meu mundo sem
pedágio. Serviria o café sem açúcar e o pão amanhecido esperando
palavras de muito obrigado pela lembrança. Ou só imaginaria coar pó
e cortar fatias sem oferecer. Diria um sirva-se de mim às colheradas
para não vazar no sofá, que rasgo em tiras para ver se combina com a
decoração. Depois veria sua garganta sorrindo, tentando alguma
bobagem só para assustar o silêncio. Fingiria ouvir as mesmices de
tudo o que o sol viu e essas coisas de viver todo dia, esperando um
equívoco   gramatical de dizer saudades no ponto de ônibus.
Concordaria com os erros de fazer quase certo e defenderia as
risadas dos ignorantes que não entendem que não somos desse planeta.
Leria algum poema feito às pressas para agradar a vizinha. (Falando
nisso, ainda não escrevi o poema que prometi. Talvez nem escreva e
diga que o perdi em algum beco de praia.) Choraria algum desamor, só
para inspirar o radialista enquanto o telefone toca insistentemente
esperando alguém fingir vida de alô que não o meu. Passaria horas em
transe de só olhar, até que, não havendo mais nada a ser dito,
esperaria a porta fechar em até breve. Arrumaria a bagunça dos
pensamentos tal qual diarista mal paga. Lavaria o rosto das
lembranças que por ventura tentem grudar em mim. Diria amém  em mãos
fechadas esperando a vontade dos olhos  viajar para o nosso
esconderijo e lá te encontraria, agora, para viver o que andamos
sonhando nesse mundo.

Paula Cury

 



 Escrito por Paula Cury às 10h14 [] [envie esta mensagem]



 

Noite


De longe vem o teu olhar de anjo

Nos sonhos que me atormentam a alma

Com beijos secas meu pranto

Por te amar tão louca e calma.


O raiar do dia desprende o beijo

Que só em sonho sinto o gosto

Como um punhal fincado ao peito

Acordo morrendo ao lado de outro


Ah! Que não demore em passar o dia

E a noite chegue na cama fria

Que eu feche os olhos e seja tua

Ou que morra de amor lânguida e nua.


Paula Cury

28/10/04




 Escrito por Paula Cury às 12h21 [] [envie esta mensagem]