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Perguntas à você.
Por que não sai da minha cabeça? Malditas perguntas que me povoam. De onde veio e vai com quem e não me leva? Já gritei, quantas vezes, que me deixe em paz. Some com tua risada. Desaparece com estes olhos que não resisto. Que graça vê no meu sofrimento? Quer provar minha coragem de palavras? Não queira. Repito. Não queira me provar... ou queira... me prove... (você entendeu). Mas se me provar errado, saiba que não me entendo e calo quando devia falar. Embolo o meio de campo, engasgo e apenas sorrio amarelo em "tudo bem", "tudo bom", "tudo à puta que o pariu"... Desculpe, me exaltei. Mas me diga. Quem agüenta? Você. Ai... ai... ai... quem resiste? Diz pra mim? Fala, pelo amor de Deus, o que tenho de fazer pra você sumir? Não... Não... sumir não... só desocupar minha mente... só isso. É pedir Muito? Presta atenção. É de manhã, é à tarde, é à noite.. mil vezes pior nas noites. Você lá. Lá não. Aqui, aqui dentro martelando sua presença e eu, caçando fantasma com redinhas de coar leite.Diz pra mim. Você nasceu assim ou foi ficando sarcástico com o tempo? Só posso acreditar que tenha sofrido horrores, por essa vida à fora, e agora resolveu se vingar. Cacete, tinha de ser pra cima de mim? O que eu te fiz? Estou virando maníaca depressiva, compulsiva de você percebe? Caio em "delirius tremen" se não alcanço teus olhos por alguns mínimos segundos. Olha lá... o dedinho do pé começou a tremer. É agora que tenho outro ataque e você o que vai fazer? Não me venha com esse papo de que vai dormir. Quem consegue dormir com você? Ou melhor.. ou seria pior, sem você? Faça alguma coisa estou sentindo o tremor subindo por Aquiles. Os discos, pronto, derrubei novamente. Sabe quantas vezes por dia arrumo esses discos? Nem imagina não é? Também não importa, minha vitrola quebrou em 1985 e só serve de enfeite, assim como os vinis. Calma. Não fala nada. Estou sentindo. Está vindo. Cada vez mais perto. Sim... sim... estou sentindo.... a rótula rotula rotulências. Eu sei, não existe rotulência. E daí? Não existe também uma resposta pra isso que sinto. Ou existe? Você sabe qual é? Ah! Se adiantasse sair, fugir, sumir. Qual o que? Se você não está fora e sim dentro ocupando meus vazios, todos os vazios. Vou acabar explodindo como a Dona Redonda e de dentro de mim só vai sair você, mil de você e nem sequer unzinho eu tenho. Vê a maldade que faz comigo? Dá pra dizer o que é isso? O que você tem que me deixa assim? Nossa. Não agüento mais, tantas perguntas sem respostas. Oh! Vida... (sem risada de hiena)... Dona Clementina que me ajude. Nos olhos da foto 3x4 no verde musgo é você refletido, Assombração. Ainda se fosse um Juan, Delon, Cage, hum, adoro Cage, mal passado, cru. Eu comeria cruzinho, sem pressa. Ainda se fosse, vá lá, seria até compreensível. Mas olha bem pra você. Pega o espelhinho do Box e dá uma voltinha. É uma coisa, quase de nada, um barquinho navegando no mar imenso e veio querer ancorar bem na minha ilha? Deve ser praga de ex-marido. Só pode. Ta, eu sei, falo por falar, só pra ver se consigo desanuviar você. Quer saber? Nem assim consigo. Começo a me convencer que nasci com um péssimo gosto e coisa e tal. Fazer o que? O que seria do azul não é? Os vermelhos que me perdoem, sua época passou. Agora quero tudo blue, tudo blau. Vê? Nem assim consigo. Me irrito, me reviro e nada. Só você... você ... você. Por acaso pegou alguma coisa minha e costurou na boca de um sapo graúdo e babento? Responde! Por que se cala? Terá feito feitiço? É isso? Chega de bobagens. Vê se me esquece... ou melhor.. se eu te esqueço, antes que enlouqueça. Vou parar por aqui. "Delirius tremen"...alcançando ... as mãos...
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 20h31
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Acordei e pensei nunca mais
Nunca mais teu sorriso
Nunca mais teu amor
Nunca mais a nossa vida
Nunca mais te dizer quem sou
Nunca mais triste te procurar
Nunca mais tua tristeza curar
Nunca mais amor em vão
Nunca mais a dois ou não
Nunca mais...
E assim...
Arrumei os livros não lidos
Arrumeir o vazio da geladeira
Arrumei os sapatos usados
Arrumei escova e pente
Arrumei a mala de viagem
Arrumei meu ser da tua passagem
Arrumei meus pensamentos
E continuei a pensar...
Nunca mais estar em você
Nunca mais sorrir ao teu lado
Nunca mais te dar o mundo
Nunca mais te dar o sol
Nuncamais te dar o poder
Nunca mais querer te ver
Nunca mais te jurar amor
Nunca mais me deixar para trás
Nunca mais...
E pensando me desfiz...
Me desfiz da tua marca no meu corpo
Me desfiz do feijão com arroz
Me desfiz das palavras repetidas
Me desfiz dos sonhos tortos
Me desfiz da TV vinte e nove polegadas
Me desfiz da alergia à flores
Me desfiz do porta-retrato
Me desfiz de todo de você
Para nunca mais te lembrar
Nunca mais esperar em você
Nunca mais nascer em você
Nunca mais morrer sem te ter
O nunca mais te afaga e me liberta
O nunca mais me tranquiliza
Nunca mais, nunca mais, nunca mais
Tranquei o nunca mais
Joguei a chave fora
Para nunca mais saber que
Nunca mais...
Fábio Cury e Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 12h38
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Via Láctea
Beber a via Láctea é pouco Quero outros leites Outros copos Outros corpos Outros dentes Sementes Filhos Camas Amantes ardentes Alegria comum Vida comum Homem comum Roupa largada Rasgada Brinquedo novo Desterro Grito Gozo Vertente Pegajoso Latejante Lento.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 14h56
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Pesadelo
Voando serpe nebulosos borbulhos Enlameadas pernas afogar inútil Portas trancas negar socorro Quedas claras claros fins
Rouco brado farfalhar mendigo Desconhecidos vazios cinzas fumaças Enclausurado crânio sonhador insano Inútil buscar repentino acordar
Batalha sôfrega dorido monólogo Sentir real sublime esperança Som longínquo recordar horas Espasmos findos abrindo olhos
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 16h06
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Estátua de beijo
ph. Marco Antonio Pajola
Escrito por Paula Cury às 15h34
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Ainda, naqueles tempos de nós dois, pretendi mostrar as dores que me subiam pelas coronárias, mas o tempo foi curto, tempo apenas de lembrar tuas crises de não querer crescer. Prostrados, então, ficamos a nos olhar. Os dedos dos teus pés marcando os passos da música tão baixa que ensurdecia nosso silêncio de confissão. Tentei pisar teus dedos que me tiravam a concentração dos teus lábios paralisados, mas ai também o tempo foi curto. Meu pé chegou onde teus dedos não tocavam mais. Sorri. Você sorriu sem entender se era uma coisa ou outra coisa em meio a tantas coisas. Meu indicador, insensato, meteu-se entre meus lábios num roçar e coçar cutículas com os dentes, me calando ainda uma vez. Você esperando eu falar. Eu treinando falas mudas procurando as letras que me escapavam feito borboletas voando cada uma para o lado oposto do lado outra. Eu sorri por não saber começar. Você sorriu achando que eu já havia dito tudo. Não disse. Você levantou, passou a mão, meio pai, na minha cabeça e foi ao que te esperava. Eu odiei minha língua de não ser tua filha. Levantei e vi você ir embora mais uma vez.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 15h23
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Ausência
Nos dias de tua ausência, marcados pelos ponteiros do meu relógio, sinto uma alegria de dor por não esquecer de lembrar você Nos dias de tua ausência, os cinzeiros respiram minhas cinzas de solidão, criando fantasias nas fumaças que meus olhos soltam. Nos dias de tua ausência, me parece rodar um filme antigo, em preto e branco, mudo. Vozes que falam nos olhares piscados que, por vezes, lacrimejo ao som do piano. Nos dis de tua ausência, os sussurros dos vento declamam poemas que gostaria de ter te escrito, berrando nos teus ouvidos coisas que batem neste meu abismo negro chamado coração. Nos dias de tua ausência, me pareces mais bonito, mais falante no perfil que não me canso de procurar sua vida, onde não existo neste e no próximo momento. Nos dias de tua ausência é que me encontro mais centrada em tuas mãos, no deserto da pele que recobre minhas carnes de vontades de bombom de licor e café quente. Nos dias de tua ausência, no sofá da sala, te vejo buscando as respostas que jamais perguntei por não querer falar o que calo na hora de quase te amar. Nos dias de tua ausência, rio ao mundo os medos de não te ver pela última vez antes do próximo até breve. Nos dias de tua ausência, acalmo meu sangue e canto, porque cada dia de tua ausência é um dia mais perto de te reencontrar.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 18h07
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