Querido
Ah, se eu pudesse, querido
Ler-te as cartas que penso escrever
De todo sentimento que sufoco
Entre palavras, gritos e sussurros
Ah, se eu pudesse, querido
Inspirar-te nos meus olhos
Ser do poema tua rima
Da caneta a tinta e do teu peito a emoção
Ah, se eu pudesse, querido
Abraçar-te com braços, pernas e bocas
Buscando em silêncio teus poros
Sangrar o sangue do teu coração
Ah, se eu pudesse, querido
Banhar-te em dia de inverno
Do chuveiro cair em gotas quentes
Lamber a espuma que cobre teu corpo
Ah, se eu pudesse, querido
Alimentar-te como boa e solicita mãe
Dar meu seio para que sugues a vida
E dos gemidos meus te fazer cada refeição
Ah, se eu pudesse, querido
Matar-te em minutos dormentes
Teu corpo molhado de suor
Penetrado no meu em gozo eterno.
Paula Cury