Histórico
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/06/2004 a 30/06/2004
01/05/2004 a 31/05/2004
Votação
Dê uma nota para meu blog
Outros sites
Barrox
Paulo Garcez
Ramsés
Site da Magriça
Glayton Robert
Templo XV
Usina de Letras
Avassalador
|
 |
 |
| Paula Cury. Contos. Memórias. Poesias e o que mais vier |
|
| |

kb Steve hanks
Escrito por Paula Cury às 22h55
[]
[envie esta mensagem]
Quem dera.
Quem dera conseguir colocar em branco, os sentimentos que me habitam em negro, carmim, negro-carmim, que consomem lentamente cada respiro pulsado. Crio imagens claras de vontades distorcidas. Crio e re-crio falas, tuas falas, sempre tuas em minhas respostas de sins, de eu quero, de eu vou, de vem. Mas qual o que, só penso e durmo, com você, o travesseiro que batizei com seu nome. Como dizer ao mundo que converso com um travesseiro e o travesseiro não é mais travesseiro quando abraço, cheiro, acaricio. É feito de carne, olhos, mãos boca... boca.. boca que procuro entre o algodão da fronha macia e fria. Sua boca que me faz sorrir, rir, gargalhar entre quatro paredes vazias e você, imaginado, criado, reproduzido me olha e ri só ri da minha loucura de querer ser Deus. Se o mundo soubesse de tudo que falamos, dos ais e alívios, respostas e duvidas. Se o mundo soubesse da revolução que armamos, das mudanças planejadas passo à passo escritas em penas invisíveis. Se vissem a bandeira que hasteamos em glória ao amor feito em silêncio. Se soubessem.... se soubessem nossa invencibilidade de mãos dadas Queria poder gritar ao mundo que somos nós, eu e você, que fazemos o mundo girar, o sol nascer, o mar revoltar e afundar em navios, pesadelos alheios. Somos nós que criamos a vida e tudo e todos e mais... Nossa risada, ainda mais alta vai acordar os vizinhos... vai acordar o mundo e fazer morrer de inveja o mais romântico, vai trazer à realidade o mais insano, vai converter santos em pecados carnais, vai fazer brotar em campo estéril, lótus, algas e corais. E, quando cansarmos de rir, você me abraça e eu te abraço. Vem, vamos dormir nossas vidas enquanto os mortais sonham acordados.
Quem dera poder escrever o que sinto, mas não consigo.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 21h59
[]
[envie esta mensagem]

Escrito por Paula Cury às 00h45
[]
[envie esta mensagem]
Caixa de costura
Demorou a volta retrós
Alinhavo de agulhas tortas em nós
Em edredons de meias não vindas
Costurando em zig-zag linhas já findas
O sono abate o retalho desfiado
De ponto cruz ou chuleado
Do carretel de voltas se faz tarde
Ponta da tesoura corta o corte que arde
Deixa de lado o seu bordado
Corta em viés cá do meu lado
Arremata nós em tiras finas
Que das costuras não se fazem rimas
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 00h38
[]
[envie esta mensagem]

Imagem recebida sem menção do artista.
Escrito por Paula Cury às 22h08
[]
[envie esta mensagem]
Êta vida bandida.
Êta vida bandida.
Ao invés de cicatrizar
Abre mais a ferida
Êta vida bandida.
Quanto mais segura
Mais deixa aflita
Êta vida bandida.
Das voltas que dá
Faz que tudo se repita
Êta vida bandida.
Não deixa espaço
Mente dormente, agita
Êta vida bandida
Testa a cada passo
Das respostas desabriga
Êta vida bandida.
Mudanças provoca
De caminhos perdida
Êta vida bandida
Surpresas traz
Da mentira vivida
Êta vida bandida
Que te busco
E que te quero finda
Êta...
Vida
Bandida.
Paula Cury 12.06.04
Escrito por Paula Cury às 21h59
[]
[envie esta mensagem]

Imagem recebida em site de troca de imagens sem nome do artista.
Escrito por Paula Cury às 03h36
[]
[envie esta mensagem]
O Velho
O velho caminha à passos largos, devagar como tartaruga em verão carioca. Cabeça baixa. Anda e pensa.Pensa e anda. Cada passo uma lembrança.
Lembra do dia, contava 10 anos, ganhou de presente um soldadinho, daqueles que chamam “soldadinhos de chumbo”, ficou feliz, embora quisesse mesmo um pião de corda colorida.
Esboçou um pequeno sorriso, áureos tempos de sua meninice. Viu-se correndo com outro meninos de sua idade, atrás de cotovias, quanta maldade, pensava ele, pegar o pobre passarinho apenas para arrancar-lhe as asas, ouvi-los piar desesperados. Criança é mesmo um ser sarcástico.
Parou, olhou o céu, azul, onze e meia talvez, hora do almoço. Mais um passo. Como eram bons os bolinhos de chuva que a mamãe fazia. Comer só depois de limpar o prato de arroz e feijão, caso contrário, nada feito. Eram doces, os bolinhos, nunca mais sentiu aquele gosto, massa quente, açúcar, o gosto doce, doce gosto dos bolinhos de chuva.
O velho enxuga a lágrima que, teimosa, tenta escorrer.
Mais um passo.
Ouve ao longe alguém chamar seu nome. Olha para trás e se dá conta, é apenas mais uma lembrança. Lembrança do pai, sempre bravo, autoritário, que fazia tremer só de olhar. A surra de cinta depois de assustar a Dona Candinha, vizinha feia e gorda, alvo preferido dos meninos e dele também. Pobre Dona Candinha, gorda e feia. Essa não teve sorte na vida, deve ter morrido virgem.
Virgem, mais um passo, Helena, hoje tão enrugada, sua primeira e única namorada. Como deu trabalho conquistá-la. O primeiro beijo, depois do cinema, no escuro da rua, quase levou um bofetão. Conseguiu segurar a mão de Helena, mão tão macia que tantos beijos recebeu. Helena, hoje enrugada, lhe deu quatro filhos, três formados e um meio sem juízo, vive viajando, manda notícias quando quer. Filhos de Helena, hoje tão enrugada.
O velho caminha à passos largos, vê, do outro lado da rua, alguns meninos correndo, atrás de um gato. Está cercado o pobre bicho. Puxam o rabo e riem alto.
Um dos meninos percebe o velho e lhe sorri.
O velho devolve o sorriso, levanta a cabeça, olha para frente, dá um pequeno salto e continua a andar.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 03h34
[]
[envie esta mensagem]

Imagem recebida em lista de imagens.
Não sei quem é o artista... quem souber
agradeço pela informação.
Escrito por Paula Cury às 03h10
[]
[envie esta mensagem]
Escritos por atacado (ou)
O lixo literário manda lembranças!
Tem gente que escreve, se diz poeta
Junta as palavrinhas, coloca uma riminha
Se acha o máximo, publica todo dia
Um.. dois.. três.. dez coisinhas por hora
Produção em massa, sem fermento.
Ô Internet bendita...
Sem censura, sem limite, sem bom gosto
Aceita tudo e nos envia.. re-envia, sacrifica
Teclinha delete gasta... afundada... tão sofrida
Revoltada, pede abono extra. Trabalha mais a cada dia
Texto formatado, copiado, deturpado
Não há limite... não há lei... não há sanção
E eu aqui, apagando... cada linha cada palavra escrita em vão
Haja paciência, tem gente que não se toca não.
Eu escrevo, é bem verdade, e não sou poeta não.
Escrevo sem rima, sem técnica, sem um grau de profusão.
Mas vá lá, que dois, no máximo por dia, não cansa,
Ou será que não?
Segunda parte .... o poeta, embroeta, fala:
Contagiada por palavras abstratas... vou escrevendo sem razão
Poluindo telas e mentes, enchendo papéis de bytes, kbytes e mega bytes dementes
Aprendendo, assim, a ser poeta indolente, deixando o leitor, coitado, doente
Esperando o prêmio Nobel de literatura. Ah, como estou crente.
Me inspiro em idéias alheias, texto quase pronto, mudo apenas a ordem
O primeiro verso vai pro fim, o último lá no meio, entremeio sem receio.
Quem se importa? Copio. Copio mesmo.. é só lorota.
Assino em fonte 48, sublinhado, criptografado, que é pra deixar bem gravado.
Penso cá com meus botões, como criar mais textos.
Tomar sopa de letrinhas quem sabe? ( times new roman)
Pro texto sair pronto...
Quer seja por baixo ou por cima
O que importa é publicar.
Xi!!! Acabou o papel, vou usar a rima!!!
Publico e espero alguém dizer: “é obra prima”
Ah! Se é.. saiu de mim... do mais profundo do profundo. ( preciso de um laxante)
Minha alma é poeta. Preciso ouvir senão eu surto.
Escrevo mais, cada vez mais, mesmo que seja um verso curto.
(continua)
Escrito por Paula Cury às 02h56
[]
[envie esta mensagem]
Você pensa que acabou?
Pois não acabou não.
Hoje estou inspirada
Vou vomitar letras até de madrugada.
E lá vem mais, caixa de correio
Estufada de tanta poesia enlatada
Se o tema é circunflexo
Escrevo mesmo sem ter nexo
O que me importa é aparecer
Me sentir a dona do poder
Dizem por ai que é a falta.
Ter poder sem mais phoder
Ah! Como dói.. como dói a desdita
Não saber dar emoção à palavra escrita
Eu me esforço, eu sei bem,
Mas não nasci pro negócio, meu bem.
Então enrolo com blá, blá, blás
Mesmo que minha rima não seja loquaz
Quero ver quem é capaz
De dizer que não sou poeta zas-traz.
Me apague, to nem ai.
Amanhã, você sabe, de volta aqui
Seu e-mail não me bloqueia
Você vai xingar de boca cheia
......
Pra finalizar, em grande estilo
Poetizar sem copiar:
“Mas não esqueça, nenhum segundo
Que eu tenho a rima... maior do mundo
Como é grande o meu poema
Pra você”
Eu vou voltar, pro seu azar.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 02h55
[]
[envie esta mensagem]

Escrito por Paula Cury às 08h50
[]
[envie esta mensagem]
Saia Vermelha
Na guitarra canta o cigano
Canta amores e fantasias
Dança fogueira em saia vermelha
Ao som das palmas e rodopios
Dança bela, em seu mundo só
Envolta em nuvens de sonhos
Moedas douradas jogadas ao ar
Rodopia bela, rodopia
Olhos fechados de amores perdidos
Busca no som das cordas
Sussurros, gemidos
Dança bela, encanta
No coração a fogueira queima
Olhos ciganos a espreita
A noite cai em almas livres
E ela dança, sempre dança
Saia vermelha
Moedas douradas
Guitarra
Coração vazio
Fogueira
As mãos no ar bailam descompassadas
Procuram o ritmo no coração partido
Os pés agitam o bailado doído
Rodopia bela, rodopia
A guitarra canta ciganos enamorados
Ela dança, em transe, sem sentir
A fogueira queima, saia vermelha
Baila, doida baila mais
Rodopia em labaredas vermelhas,
A guitarra grita, desespero desafinado
A paixão queima a bela que dança
Queima, rodopia, queima saia vermelha
Olhos dançam, ao som do desengano
Queima de amor em saia vermelha, labaredas
Rodopia e ri, calor na alma, calor no corpo
Em brasa se encanta e canta.... canta...
Canta
Dança
Queima
Saia vermelha.
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 08h41
[]
[envie esta mensagem]
Madrugada Sem Fim
Cem anos já se passaram, meu corpo se curva com o peso não da idade, mas do remorso, fecho-me em mim. Vivo agora como que por inércia, sem palavras, sem vontades.
O cigarro não satisfaz, mas ainda fumo, gosto de parecer humana. A música já não soa, parece que até os anjos me abandonaram. Este último pensamento me abala, a cabeça lateja, sinto-me cada vez mais fraca, as pernas cansadas.
Costumava brincar com a fumaça no ar quando jovem, isso já faz muito tempo. Hoje, nem as figuras de fumaça aparecem, assim como minhas esperanças, somem, vão com o vento. As fotos penduradas são como os corpos que deixei sem vida, já não fazem mas sentido. Será que realmente fizeram um dia? Tenho medo de fechar os olhos e as imagens aparecerem, mas não hoje, minha mente está vazia. E talvez sem elas eu vá me sentir mais sozinha, mais perdida em mim mesma.
Os poetas acham que sofrem. E desejam ser imortais. Sofrem tanto porque querem! Eu não tive escolha! Eu sofro tanto por isso, por ser imortal. E os poetas? Por que sofrem tanto os poetas?
Mais um trago. Isso já deve ter tido um sabor um dia. Olho novamente a fumaça, tento dizer algo, definir minha desgraça, nenhuma palavra. Palavra tão necessária se foi com a minha vontade de viver. Os olhos querem fechar. Eu quero apenas uma palavra. Apenas.
As horas passam, mas para mim tanto faz, que passem, que se arrastem. E elas se arrastam. É interminável quando se quer o fim. E o futuro não chega. O cigarro me lembra o quanto o presente me cansa. E o passado...dói.
Outra música no rádio. Como pode um ser eterno desejar a morte? As lágrimas escorrem. Todos os meus já se foram e nada pude fazer. O cigarro no fim. Parece que tudo está no fim.
Último trago. Parece que Deus ou o diabo estava naquele cigarro. Assim como em minha longa vida. Apago o cigarro como apago minha vida. E no resto de brasa revejo a luz do Sol. Um único fio de fumaça teima em sair. O chamado. Sinto o calor por trás das cortinas e por entre elas um único fio de esperança. Um sorriso se mistura a uma lágrima, descerro as cortinas e sinto novamente toda luz e todo o poder do Sol, mesmo que pela última vez...
Paulo Garcez (profpgf) 03/06/04 (livre adaptação do texto MADRUGADA SEM FIM de Paula Cury)
Escrito por Paula Cury às 01h43
[]
[envie esta mensagem]
Fuga
Foi vista no caminho da ilusão
Cresceu com sentimento, paixão
Não negou os prazeres
Em corações plantou a dor
Esvaziou a alma de pudores
Desfez amores de ódio mortal
Dançou e tripudiou violões em poses
Gangrenou o amor cuspido em larva animal
Gritou prazeres, lua estampada dourada
Em tendas molhou, almofadas dilaceradas
Desnudou a carne alva, macia santificada
Bebeu o sal de lamas desesperadas
Rasgou as veias, pulsante maldita
Semeou frutos, pobres bastardos
Largados sem rumo, aniquilados
Gargalhou, lacaia, patroa fingida
Fugiu em fumaça, fogueiras saudades
Chorou caminhos, estreitos precipícios
Infeliz, aflição de vazios guardados
De nunca ter, sequer, um dia amado.
Paula Cruy
Escrito por Paula Cury às 00h24
[]
[envie esta mensagem]
C.L. Você.
Você ai tão perto
Eu me escondendo.
Vontade louca de abrir a porta
Sorrir meu melhor sorriso
Te receber tranqüila.
Faço outro café, quente, queimando
Como a minha vontade de te ter
Bebo aos poucos, saboreando
Imaginando em cada gole, você.
Tenho ganas de sair correndo
Te encontrar ao relento, no frio, na madrugada
Estender meus braços, abraço amigo
Não os meus, os teus,
Que dos meus apertos, abraços lascivos
Grudar teus olhos nos meus olhos
Esquecer a promessa, fidelidade
Amigos, não te quero mais
Amantes, não conseguiria.
Se pudesse voltar o tempo
Sentir teu cheiro tão perto do meu
Beijar os lábios que recusei
Tonta, estúpida que em mim acreditei.
...
Olho de esguelha, você ainda ai
Por que não dorme? Não inventa outra coisa a fazer?
Não sabe, mas me tortura, seu nome em verde
Verde dos teus olhos nos meus olhos verdes
E lá vou eu de novo, não mais ao café, à água
Água no pulso, na nuca, no colo
Esfriar a pulsação que te chama
Inflama, arde, queima e não resolve
Mais uma vez te olho. Que vontade!
Mais uma vez respiro fundo. Busco
Mais uma vez aperto a tecla. Finda, maldita
Mais uma vez vou dormir. Sem você...
Paula Cury
Escrito por Paula Cury às 06h24
[]
[envie esta mensagem]
|
| |
|
 |
|