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Paula Cury. Contos. Memórias. Poesias e o que mais vier
 

kb Steve hanks



 Escrito por Paula Cury às 22h55 [] [envie esta mensagem]



Quem dera.

 

Quem dera conseguir colocar em branco, os sentimentos que me habitam em negro, carmim, negro-carmim,  que consomem lentamente cada respiro pulsado. Crio imagens claras de vontades distorcidas. Crio e re-crio falas, tuas falas, sempre tuas em minhas respostas de sins, de eu quero, de eu vou, de vem. Mas qual o que, só penso e durmo, com você, o travesseiro que batizei com seu nome. Como dizer ao mundo que converso com um travesseiro e o travesseiro não é mais travesseiro quando abraço, cheiro, acaricio. É feito de carne, olhos, mãos boca... boca.. boca que procuro entre o algodão da fronha macia e fria. Sua boca que me faz sorrir, rir, gargalhar entre quatro paredes vazias e você, imaginado, criado, reproduzido me olha e ri só ri da minha loucura de querer ser Deus. Se o mundo soubesse de tudo que falamos, dos ais e alívios, respostas e duvidas. Se o mundo soubesse da revolução que armamos, das mudanças planejadas  passo à passo escritas em penas invisíveis. Se vissem a bandeira que hasteamos em glória ao amor feito em silêncio. Se soubessem.... se soubessem nossa invencibilidade de mãos dadas  Queria poder gritar ao mundo que somos nós, eu e você, que fazemos o mundo girar, o sol nascer, o mar revoltar e afundar em navios, pesadelos alheios. Somos nós que criamos a vida e tudo e todos e mais... Nossa risada, ainda mais alta vai acordar os vizinhos... vai acordar o mundo e fazer morrer de inveja o mais romântico, vai trazer à realidade o mais insano, vai converter santos em pecados carnais, vai fazer brotar em campo estéril, lótus, algas e corais. E, quando cansarmos de rir, você me abraça e eu te abraço. Vem, vamos  dormir nossas vidas enquanto os mortais sonham acordados.

 

Quem dera poder escrever o que sinto, mas não consigo.

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 21h59 [] [envie esta mensagem]





 Escrito por Paula Cury às 00h45 [] [envie esta mensagem]



Caixa de costura

 

Demorou a volta retrós

Alinhavo de agulhas tortas em nós

Em edredons de meias não vindas

Costurando em zig-zag  linhas já findas

 

O sono abate o retalho desfiado

De ponto cruz ou chuleado

Do carretel de voltas se faz tarde

Ponta da tesoura corta o corte que arde

 

Deixa de lado o seu bordado

Corta em viés cá do meu lado

Arremata nós em tiras finas

Que das costuras não se fazem rimas

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 00h38 [] [envie esta mensagem]



Imagem recebida sem menção do artista.



 Escrito por Paula Cury às 22h08 [] [envie esta mensagem]



Êta vida bandida.

 

 

Êta vida bandida.

Ao invés de cicatrizar

Abre mais a ferida

 

Êta vida bandida.

Quanto mais segura

Mais deixa aflita

 

Êta vida bandida.

Das  voltas que 

Faz que tudo se repita

 

Êta vida bandida.

Não deixa espaço

Mente dormente, agita

 

Êta vida bandida

Testa a cada passo

Das respostas desabriga

 

Êta vida bandida.

Mudanças provoca

De caminhos perdida

 

Êta vida bandida

Surpresas traz

Da mentira vivida

 

Êta vida bandida

Que te busco

E que te quero finda

 

Êta...

Vida

Bandida.

        

Paula Cury 12.06.04



 Escrito por Paula Cury às 21h59 [] [envie esta mensagem]



Imagem recebida em site de troca de imagens sem nome do artista.



 Escrito por Paula Cury às 03h36 [] [envie esta mensagem]



O Velho

 

O velho caminha à passos largos, devagar como tartaruga em verão carioca. Cabeça baixa. Anda e pensa.Pensa e anda. Cada passo uma lembrança.

Lembra do dia, contava 10 anos, ganhou de presente um soldadinho, daqueles que chamam “soldadinhos de chumbo”, ficou feliz, embora quisesse mesmo um pião de corda colorida.

         Esboçou um pequeno sorriso, áureos tempos de sua meninice. Viu-se correndo com outro meninos de sua idade, atrás de cotovias, quanta maldade, pensava ele, pegar o pobre passarinho apenas para arrancar-lhe as asas, ouvi-los piar desesperados. Criança é mesmo um ser sarcástico.

         Parou, olhou o céu, azul, onze e meia talvez, hora do almoço. Mais um passo. Como eram bons os bolinhos de chuva que a mamãe fazia. Comer só depois de limpar o prato de arroz e feijão, caso contrário, nada feito. Eram doces, os bolinhos,  nunca mais sentiu aquele gosto, massa quente, açúcar, o gosto doce,  doce gosto dos bolinhos de chuva.

         O velho enxuga a lágrima que, teimosa, tenta escorrer.

Mais um passo.

Ouve ao longe alguém chamar seu nome. Olha para trás e se dá conta, é apenas mais uma lembrança. Lembrança do pai, sempre bravo, autoritário, que fazia tremer só de olhar. A surra de cinta depois de assustar a Dona Candinha, vizinha feia e gorda, alvo preferido dos meninos e dele também. Pobre Dona Candinha, gorda e feia. Essa não teve sorte na vida, deve ter morrido virgem.

         Virgem, mais um passo, Helena, hoje tão enrugada, sua primeira e única namorada. Como deu trabalho conquistá-la. O primeiro beijo, depois do cinema, no escuro da rua, quase levou um bofetão. Conseguiu segurar a mão de Helena, mão tão macia que tantos beijos recebeu. Helena, hoje enrugada, lhe deu quatro filhos, três formados e um meio sem juízo, vive viajando, manda notícias quando quer. Filhos de Helena, hoje tão enrugada.

         O velho caminha à passos largos, vê, do outro lado da rua, alguns meninos correndo, atrás de um  gato. Está cercado o pobre bicho. Puxam o rabo e riem alto.

         Um dos meninos percebe o velho e lhe sorri.

         O velho devolve o sorriso, levanta  a cabeça, olha para frente, dá um pequeno salto e continua a andar.

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 03h34 [] [envie esta mensagem]



Imagem recebida em lista de imagens.

Não sei quem é o artista... quem souber

agradeço pela informação.

 



 Escrito por Paula Cury às 03h10 [] [envie esta mensagem]



 

Escritos por atacado (ou)

O lixo literário manda lembranças!

  

Tem gente que escreve, se diz poeta

Junta as palavrinhas, coloca uma riminha

Se acha o máximo, publica todo dia

Um.. dois.. três.. dez  coisinhas por hora

Produção em massa, sem fermento.

 

Ô Internet bendita...

Sem censura, sem limite, sem bom gosto

Aceita tudo e nos envia.. re-envia, sacrifica

Teclinha delete gasta... afundada... tão sofrida

Revoltada, pede abono extra. Trabalha mais a cada dia

 

Texto formatado, copiado, deturpado

Não há limite... não há lei... não há sanção

E eu aqui, apagando... cada linha cada palavra escrita em vão

Haja paciência, tem gente que não se toca não.

 

Eu escrevo, é bem verdade, e  não sou poeta não.

Escrevo sem rima, sem técnica, sem um grau de profusão.

Mas vá lá, que dois, no máximo por dia, não cansa,

Ou será que não?

 

Segunda parte .... o poeta, embroeta,  fala:

 

Contagiada por palavras abstratas... vou escrevendo sem razão

Poluindo telas e mentes, enchendo papéis de bytes, kbytes e mega bytes dementes

Aprendendo, assim, a ser poeta indolente,  deixando o leitor,  coitado, doente

Esperando o prêmio Nobel de literatura. Ah, como estou crente.

 

Me inspiro  em idéias alheias, texto quase pronto, mudo apenas a ordem

O primeiro verso vai pro fim, o último lá no meio, entremeio sem receio.

Quem se importa?  Copio. Copio mesmo.. é só lorota.

Assino em fonte 48, sublinhado, criptografado, que é pra deixar bem gravado.

 

Penso cá com meus botões, como criar mais textos.

 

Tomar sopa de letrinhas quem sabe? ( times new roman)

Pro texto sair pronto...

Quer seja  por baixo ou por cima

O que importa é publicar.

Xi!!! Acabou o papel, vou usar a rima!!!

 

Publico e espero alguém dizer: “é obra prima”

Ah! Se é.. saiu de mim... do mais profundo do profundo. ( preciso de um laxante)

Minha alma é poeta. Preciso ouvir senão eu surto.

Escrevo mais, cada vez mais, mesmo que seja um verso curto.

(continua)



 Escrito por Paula Cury às 02h56 [] [envie esta mensagem]



 

Você pensa que acabou?

Pois não acabou não.

Hoje estou inspirada

Vou vomitar letras até de madrugada.

 

E lá vem mais, caixa de correio

Estufada de tanta poesia enlatada

Se o tema  é circunflexo

Escrevo mesmo sem ter nexo

 

O que me importa é aparecer

Me sentir a dona do poder

Dizem por ai que é a falta.

Ter poder sem mais phoder

 

Ah! Como dói.. como dói a desdita

Não saber dar emoção à palavra escrita

Eu me esforço, eu  sei bem,

Mas não nasci pro negócio, meu bem.

 

Então enrolo com blá, blá, blás

Mesmo que minha rima não seja loquaz

Quero ver quem é capaz

De dizer que não sou poeta zas-traz.

 

Me apague, to nem ai.

Amanhã, você sabe, de volta aqui

Seu e-mail não me bloqueia

Você vai xingar de boca cheia

 ......

 

Pra finalizar, em grande estilo

Poetizar sem copiar:

 

 “Mas não esqueça, nenhum segundo

Que eu tenho a rima... maior do mundo

Como é grande o meu poema

Pra você”

 

Eu vou voltar, pro seu azar.

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 02h55 [] [envie esta mensagem]





 Escrito por Paula Cury às 08h50 [] [envie esta mensagem]



Saia Vermelha

 

 

Na guitarra canta o cigano

Canta amores e fantasias

Dança fogueira em saia vermelha

Ao som das palmas e rodopios

 

Dança bela, em seu mundo só

Envolta em nuvens de sonhos

Moedas douradas jogadas ao ar

Rodopia bela, rodopia

 

Olhos fechados de amores perdidos

Busca no som das cordas

Sussurros, gemidos

Dança bela, encanta

 

No coração a fogueira queima

Olhos ciganos a espreita

A noite cai em almas livres

E ela dança, sempre dança

 

Saia vermelha

Moedas douradas

Guitarra

Coração vazio

Fogueira

 

As mãos no ar bailam descompassadas

Procuram o ritmo no coração partido

Os pés agitam o bailado doído

Rodopia bela, rodopia

 

A guitarra canta ciganos enamorados

Ela dança, em transe, sem sentir

A fogueira queima,  saia vermelha

Baila, doida baila mais

 

Rodopia em labaredas vermelhas,

A guitarra grita, desespero desafinado

A paixão queima a bela que dança

Queima, rodopia, queima saia vermelha

 

Olhos dançam, ao som do desengano

Queima de amor em saia vermelha, labaredas

Rodopia e ri, calor na alma, calor no corpo

Em brasa se encanta e canta.... canta...

 

Canta

Dança

Queima

Saia vermelha.

 

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 08h41 [] [envie esta mensagem]



Madrugada Sem Fim

Cem anos já se passaram, meu corpo se curva com o peso não da idade, mas do remorso, fecho-me em mim. Vivo agora como que por inércia, sem palavras, sem vontades.

O cigarro não satisfaz, mas ainda fumo, gosto de parecer humana. A música já não soa, parece que até os anjos me abandonaram. Este último pensamento me abala, a cabeça lateja, sinto-me cada vez mais fraca, as pernas cansadas.

Costumava brincar com a fumaça no ar quando jovem, isso já faz muito tempo. Hoje, nem as figuras de fumaça aparecem, assim como minhas esperanças, somem, vão com o vento. As fotos penduradas são como os corpos que deixei sem vida, já não fazem mas sentido. Será que realmente fizeram um dia?
Tenho medo de fechar os olhos e as imagens aparecerem, mas não hoje, minha mente está vazia. E talvez sem elas eu vá me sentir mais sozinha, mais perdida em mim mesma.

Os poetas acham que sofrem. E desejam ser imortais. Sofrem tanto porque querem! Eu não tive escolha! Eu sofro tanto por isso, por ser imortal. E os poetas? Por que sofrem tanto os poetas?

Mais um trago. Isso já deve ter tido um sabor um dia. Olho novamente a fumaça, tento dizer algo, definir minha desgraça, nenhuma palavra. Palavra tão necessária se foi com a minha vontade de viver. Os olhos querem fechar. Eu quero apenas uma palavra. Apenas.

As horas passam, mas para mim tanto faz, que passem, que se arrastem. E elas se arrastam. É interminável quando se quer o fim. E o futuro não chega. O cigarro me lembra o quanto o presente me cansa. E o passado...dói.

Outra música no rádio. Como pode um ser eterno desejar a morte? As lágrimas escorrem. Todos os meus já se foram e nada pude fazer. O cigarro no fim. Parece que tudo está no fim.

Último trago. Parece que Deus ou o diabo estava naquele cigarro. Assim como em minha longa vida. Apago o cigarro como apago minha vida. E no resto de brasa revejo a luz do Sol. Um único fio de fumaça teima em sair. O chamado. Sinto o calor por trás das cortinas e por entre elas um único fio de esperança. Um sorriso se mistura a uma lágrima, descerro as cortinas e sinto novamente toda luz e todo o poder do Sol, mesmo que pela última vez...


Paulo Garcez (profpgf) 03/06/04
(livre adaptação do texto MADRUGADA SEM FIM de Paula Cury)



 Escrito por Paula Cury às 01h43 [] [envie esta mensagem]



Fuga

 

Foi vista no caminho da ilusão

Cresceu com sentimento,  paixão

Não negou os prazeres

Em corações plantou a dor

 

Esvaziou a alma de pudores

Desfez amores de ódio mortal

Dançou e tripudiou violões em poses

Gangrenou o amor cuspido em larva animal

 

Gritou prazeres, lua estampada dourada

Em tendas molhou, almofadas dilaceradas

Desnudou a carne alva, macia santificada

Bebeu  o sal de lamas desesperadas

 

Rasgou as veias, pulsante maldita

Semeou frutos, pobres bastardos

Largados sem rumo, aniquilados

Gargalhou, lacaia, patroa fingida

 

Fugiu em fumaça, fogueiras saudades

Chorou caminhos, estreitos precipícios

Infeliz, aflição de vazios guardados

De nunca ter, sequer, um dia  amado.

 

 

Paula Cruy



 Escrito por Paula Cury às 00h24 [] [envie esta mensagem]



C.L. Você.

 

 

Você ai tão perto

Eu me escondendo.

Vontade louca de abrir a porta

Sorrir meu melhor sorriso

Te receber tranqüila.

 

Faço outro café, quente, queimando

Como a minha vontade de te ter

Bebo aos poucos, saboreando

Imaginando em cada gole, você.

 

Tenho ganas de sair correndo

Te encontrar ao relento, no frio, na madrugada

Estender meus braços, abraço amigo

Não os meus, os teus,

Que dos meus apertos, abraços lascivos

 

Grudar teus olhos nos meus olhos

Esquecer a promessa, fidelidade

Amigos, não te quero mais

Amantes, não conseguiria.

 

Se pudesse voltar o tempo

Sentir teu cheiro tão perto do meu

Beijar os lábios que recusei

Tonta, estúpida que em mim acreditei.

 

...

 

Olho de esguelha, você ainda ai

Por que não dorme? Não inventa outra coisa a fazer?

Não sabe, mas me tortura, seu nome em verde

Verde dos teus olhos nos meus olhos verdes

 

E lá vou eu de novo,  não mais ao café, à água

Água no pulso, na nuca, no colo

Esfriar a pulsação que te chama

Inflama, arde, queima e não resolve

 

Mais uma vez te olho. Que vontade!

Mais uma vez respiro fundo. Busco

Mais uma vez aperto a tecla. Finda, maldita

Mais uma vez vou dormir. Sem você...

 

Paula Cury



 Escrito por Paula Cury às 06h24 [] [envie esta mensagem]