Histórico
 01/11/2004 a 30/11/2004
 01/10/2004 a 31/10/2004
 01/09/2004 a 30/09/2004
 01/08/2004 a 31/08/2004
 01/06/2004 a 30/06/2004
 01/05/2004 a 31/05/2004


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Barrox
 Paulo Garcez
 Ramsés
 Site da Magriça
 Glayton Robert
 Templo XV
 Usina de Letras
 Avassalador


Paula Cury. Contos. Memórias. Poesias e o que mais vier
 

 

Diálogo em um ato,  na escuridão.

 

Paula Cury... inspirada na mana Bá.

 

- Olha lá!

- O que?

- Ali!

- Onde?

- Não está vendo?

- Não!

- Ali!

- Onde?

- Olha! Parece um rabo!

- Onde?

- Agora a cabeça?

- Onde?

- O cabelo!

- Onde? Onde?

- Parece um trigal

- Mas onde?

- Sumiu.

- Não vi.

......

- De novo! Olha!

- Ali?

- Isso!

- To vendo!

- O rabo?

- O cabelo!

- O rabo!

- O rabo!

- Tubarão?

- Com cabelo?

- O que será?

- Sereia!

- Não!?!

- Só pode!

- Será?

- Sereia!

- Não acredito.

- Também não.

- Então é ilusão!

- Será?

- Só pode.

- E se for?

- Sereia?

- Sereia!

- Ah, não é não!

- Será?

- Será ou não?

.....

- Melhor voltar.

- Melhor.

- Vai contar?

- Não.

- Por que não?

- Vão dizer que ilusão.

- Ilusão. Sereia?

- Sereia não. Ilusão.

 

FIM.

 



 Escrito por Paula Cury às 02h52 [] [envie esta mensagem]



 

Sigo em Frente.

 

 

Vou andando, caminhando, assobiando uma canção.

Sigo em frente, destemida, sei que estou na contra-mão.

E  digam se estou errada,  se é tudo ilusão?

Sigo em frente, decidida, não sou dona da razão

 

Nem o muro, nem a pedra me  tiram a atenção.

Sigo em frente, bem vivida, sem dar bola ao coração.

Até cansada e arrependida, continuo a canção

Sigo em frente, tão sofrida, procurando solução

 

Não me venha, não me siga,  ainda estou na contra-mão.

Sigo em frente, iludida,  ainda prefiro a solidão.

Se estou fraca ou perdida, escuto ao longe seu sermão

Sigo em frente, arrependida, de não ter te dado a mão.

 

Pare!

Não estou sinalizada.!

 

Paula Cury

31.05.04

01.25hs



 Escrito por Paula Cury às 02h52 [] [envie esta mensagem]



 

QUEM DERA

 

Quem dera ser Cecília

Quem dera ser Florbela

Falar do amor que nunca tive

Falar da saudade que mata

 

Quem dera ser Clarice

Quem dera ser Cora

Viver a vida sem medo

Ver a cor da escuridão.

 

Quem dera ser poeta

Quem dera ser atriz

Escrever sem ler

Fazer chorar sem rir

 

Quem dera ser

Quem dera ser...

Quem dera ser

Quem sou....

 

Paula Cury

29.05.04 quase 5:00hs



 Escrito por Paula Cury às 06h37 [] [envie esta mensagem]



Marasmo

 

 

Acordo tarde

Penso em não levantar

O dia mais curto

Não demora a passar

 

No rádio o jornal repete

Noticias velhas, sempre ditas.

Não faço falta nesse mundo

Pensamento ruim que me deixa aflita

 

Não quero cair no silêncio de mim mesma

Quero objetivos à conquistar

Tantas novidades se me apresentam

Não sei ainda o caminho a tomar

 

Tão sozinha ainda me sinto

Embora você esteja aqui a todo tempo

Queria mais perto, mais presente

De corpo e alma, não só em pensamento.

 

Paula Cury

28.05.04



 Escrito por Paula Cury às 06h37 [] [envie esta mensagem]



Diálogo em um ato e dois olhos

                                                      Paula Cury

 

 

 

- Oi!

- Oi!

-  Cadê teus olhos?

- Arrancaram!

- Arrancaram?

- Arrancaram!

- Como?

- Com as mãos.

- Os dois de uma vez?

- Um por um, bem devagarzinho

- De que cor eram?

- Azuis!

- Os meus são negros.

- Não vejo.

- Ah! É verdade. Arrancaram.

- É, arrancaram!

- Jogaram fora ou guardaram?

- Estão na gaveta.

- Na gaveta?

- Pra não perder.

- Se perder, compram outros.

- Não compram, não!

- Ah! Compram sim!

- Não! Não! Não compram, não!

(continua)



 Escrito por Paula Cury às 23h14 [] [envie esta mensagem]



- Como é teimosa!

- Eu teimosa? Teimosa é você!

- Ta explicado!

- Explicado o que?

- Porque arrancaram.

- Ah! É? Por que arrancaram?

- Você é teimosa

- Não sou teimosa... mas que coisa!

- Deve ter se negado a abrir e a fechar.

- Só uma vez.

- Não  falei? Sabia! Teimosa!

- Uma vez só. Não merecia.

- Teimosa!

- Quem é você, afinal?

- Eu sou eu. Que te importa?

- Quero saber pra poder rir.

- Rir?

- Rir!

- Rir do que?

- Quando arrancarem.

- Arrancarem o que?

- Teus olhos.

(continua)



 Escrito por Paula Cury às 23h14 [] [envie esta mensagem]



- Meus olhos?

- Teus olhos, como fizeram comigo.

- Jamais!

- Arrancam!

- Nunca!

- Arrancam! Arrancam!

- Não arrancam.

- Como pode ter certeza?

- Não podem.

- Não podem?

- Não podem!

- Por que não podem?

- Não tem como.

- Explica, não me enrola!

- Quer saber?

- Claro que quero!

- Sou de pano e não de plástico.

- Ah! De pano.

- É. De pano.

- Que sorte!

- É, muita sorte.

- Olhos costurados?

- Não. Pintados

- Hum! Não arrancam.

- Eu falei. Não arrancam

.....

.....

- Que barulho é esse?

- É ela.

- Ela?

- Ela!

- De novo?

- De novo!

- De quem será que vai arrancar?

....

- Oi! Você está ai?

- Xiu! Fala baixo!

- Falar baixo?

- É! Fala baixo.

- Ué! Por que? Não precisa temer.

- Já falei. Fala baixo.

- De você ela não arranca. Não tem como

- Na mão!

- Na mão?

- É. Na mão!

- O que tem na mão?

- Uma tesouraaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!

 

FIM.  



 Escrito por Paula Cury às 23h13 [] [envie esta mensagem]



A RIMA QUE ME PARTIU

 

 

Fui buscar nos olhos teus

A rima que partiu dos olhos meus

Abro ali, fecho lá

E mesmo aí ela não está.

 

Pego a lupa e continuo

Onde está? Onde está?

Nem no claro, nem no escuro

Nem aqui, nem acolá

 

Já cansei de procurar

E começo a divagar

Se perdi, perdida está

Desde agora, desde já.

 

Partiu a rima

A rima que me partiu.

 

( partiu a rima dos olhos meus....

Troco a rima pelos olhos teus....)

 

Paula Cury

25.05.04



 Escrito por Paula Cury às 23h04 [] [envie esta mensagem]



HOMEM MORCEGO

 

 

         14:00... plantão novamente.

         A mesa... a mesma mesa de sempre.

Sento e espero ele passar.

 

Passos largos, quase voadores cruzam o corredor.

Homem de asas negras.

Queria eu estar presa a elas.

Dançar sua dança,  embolada na fibra do bater de suas asas.

Queria eu,  e como queria, penetrar por entre as asas, subir sorrateiramente pelo corpo, analisando, assimilando, milímetro por milímetro. Subir cada vez mais e, de repente, não mais que de repente, sair de dentro da gola, olhar seus olhos por um segundo apenas, ou menos talvez....

Abocanhar seus lábios. Sugar  um beijo roubado... grudar em seu corpo... Ter asas também...Voar em seus passos.. bailar em sua fibra...

Meu homem morcego... .... um Juiz de Direito.

 

Paula Cury

25/05/04



 Escrito por Paula Cury às 23h04 [] [envie esta mensagem]



Mudança!

Mudança!

 

Me irrita, me irrita, me irrita.

Toda vez que digo: vou mudar.

- Por que? Pra onde? De novo?

- É.. ta caro... ta caro.

 

- Não te disse?

Você não ganha pra isso!

- Há! Já sei...

Ta querendo enguiço.

 

-Presta atenção

IPTU e condomínio

- Ta! Ta! Ta!

Já sei de tudo isso.

 

-Ë maior ou é menor?

-Se for maior você reclama

Se for menor

Não cabe nem  a cama

 

-Prédio, sobrado, casa ou loft?

-Não sei, to procurando

Pego pelo preço

Não sou a Laura Croft!

 

-Quem é essa?

-Sei lá eu.

Precisava rimar Soft.

Entendeu?

 

-Entendi.

 

Liberdade custa caro

-Nem me diga

Já vendi o carro.

 

-Voltando a mudança

É fiador ou depósito

- É promessa , meu filho.

E vê se não me cansa.

 

 

Paula Cury

24.05.04



 Escrito por Paula Cury às 01h36 [] [envie esta mensagem]



SUTIL LOUCURA

 

A paz que penetra no meu corpo

É inexplicável

O mundo lá fora é calmo

Tudo é lindo, tudo tão suave

 

Esse alívio da vida

A inconstância do Ser  me enlouquece

Essa loucura que procuro

A maravilha que é a vida

 

Tudo gira com harmonia

Tudo me envolve como brisa

E eu relaxo nesse mundo

 

Sutilmente vivo

Tudo gira

Em volta dessa

Sutil loucura.

 

Paula Cury

1987



 Escrito por Paula Cury às 22h06 [] [envie esta mensagem]



Vens como quem não quer nada

 

Vens como quem não quer nada

Toca e destoca minha alma

Fala, sempre fala e como fala

Não me ouve, não me ouve.

 

Ah. Tua voz me faz falta

Não me importo em calar

Apenas ouvir sem parar

O que me diz, sem querer dizer

 

O que falou não sei.

Ouço apenas o som macio

A risada acanhada

O tom grave e silencioso

 

Fala mais, não para!

Que importa o assunto?

Que importa outras vozes?

Importa você.. sua voz.. e só.

 

O fio de esperança... ainda pouco dito

Aparece em som... em voz ...

É acalanto para minha pobre alma

É alimento para meu coração.

 

Não percebes, é certo,

O quanto preciso e quero você.

Imaginação minha? Quem sabe?

Fiz de você meu sol.. minha lua... minhas estrelas

 

Não acreditas,  claro que não.

Quem haveria de acreditar?

Meu escudo não mostra

O coração que sangra por dentro

(continua)



 Escrito por Paula Cury às 17h00 [] [envie esta mensagem]



(continuação)

Dá-me tua mão e pousa-a em meu peito

Sente o descompasso ... arritmia

Acredita em mim

É por você que ele bate assim.

 

Vou e volto e não digo o que quero

Não existe expressão capaz

Que descreva o que passa... o que sinto

Nada nem ninguém sabe... nem tão pouco eu

 

A fumaça do café te busca

A fumaça do café não te traz

A fumaça do café se esvai

A fumaça do café.... a fumaça do café...

 

Não entendes o que digo

Nem tão pouco eu

Que importa, agora?

Estou sorrindo, não basta?

 

Ter você... Ah! Havia me esquecido

Terei ou não terei... perguntas... só perguntas

Agora, neste exato momento

O que importa?

 

O sonho

A voz

A esperança

Você.

 

Paula Cury 03.05.04 15:12



 Escrito por Paula Cury às 16h59 [] [envie esta mensagem]



VOCÊ, VOCÊ, VOCÊ.

 

 

         Invento histórias e você está em todas elas.

         Por que será?

         Joguei todas as minhas forças em cima de você. Sofro.

         Será que passa?

         Será que, se  eu encontrar outra pessoa, você vai continuar em meus pensamentos?

         Tentei, já, várias vezes, mas você rompe em gargalhadas entrando em meus sonhos, entrando cada vez  mais na minha vida.

         Quero você agora!

         Te tenho apenas em sonho. Não consigo te afastar. Te esquecer. Ou não quero te afastar. Fico me iludindo com a possibilidade de te ter.

         Engraçado!.

         É. Muito engraçado. Acabei de ter a idéia de escrever uma carta anônima para você. Pode? Coisa mais tola!

         Estou ouvindo a fita que gravei para te dar no teu aniversário e para variar, na última hora, desisti.

         Às vezes acho que você abusa do meu sentimento. Às vezes penso ser alguma demonstração de afeto, mas aí me lembro de que você faz isso com todos e PUMBA!!!

         Cai o meu mundo outra vez.

 

 

         Paula Cury

         São Paulo 31/03/1994



 Escrito por Paula Cury às 16h52 [] [envie esta mensagem]



Tic-tac..

 

Horas....

Só os ponteiros do relógio fazem companhia

O tic-tac infernal  toma conta do silêncio

Voltas e voltas... só ponteiros.

 

Nem paredes, portas e janelas

Nem tapetes, cortinas e almofadas

Nem revistas, livros e folhetins

Nem novelas, filmes e propagandas

 

Tic-tac ... tic-tac.. só tic-tac

 

Mais uma hora

Outra  hora mais....

Mais outra...

Quantas horas ainda?

 

Cansada

O tic-tac infernal

as horas

Só os ponteiros por companhia....

 

Tic-tac......

 

Paula Cury

17/05/04

 



 Escrito por Paula Cury às 16h48 [] [envie esta mensagem]



SOLIDÃO

Ah! Solidão vil, que corta minha alma em pedaços.
Inebria meus pensamentos de pérolas rachadas
Descortina a verdade que tento esconder..
Arde no peito sem razão.. sem motivo de ser

Ah! Solidão maldita!! Irrestrita e temerária
Larga de mim. Larga de minha alma, deixa-me fluir
Saltar os campos, buscar as flores.. sentir os cheiros de amores
Gritar ao léu.. com a força de minhas entranhas

Desprende de mim, solidão, solta meu corpo que quero arder..
Maldita! Maldita sejas tu, solidão cruel
Atiça meu corpo, ferve meu sangue, arrebenta a garganta
Transborda de meus olhos, solidão, para nunca mais

Ah! Solidão, que atormenta minhas noites choradas em vão.
Vai-te daqui em busca de outro ser não vivente. Sai e não volta.
Cansei de ti, não vês?
Jogo-te as pedras das minhas dores,

Te renego com todas as minhas forças
Cada soluço que me roubastes, cada lagrima que derrubei.
Culpa tua, somente tua, criminosa. Como te odeio
Excomungo sua existência, limpo meu ser. Nada quero de ti

Cuspo-lhe as mágoas, as desilusões que te trouxeram
Esquartejo tua razão, tua sólida razão que não me serve
Arranco tuas raízes sem dó.
Nada mais quero de ti, nem teu nome quero ouvir.

Vai! Vai agora para nunca mais. Teu lugar não é aqui...
Deixa-me viver. Deixa-me amar. Deixa-me querer
De ti nada ficará. Uma lembrança sequer.
Te expulso e te mato. Foge, antes que seja tarde.

Acredite em minha sanidade e some. Não estou mais louca,
Sem sentido e sem razão. Ah! Não estou mais não.
Estou ávida por vingança e tu, na minha frente, minha única vítima.
Não há punição a quem mata por justiça.

Se te quis algum dia foi por não saber, não te conhecer.
Me encheu de ilusão, mostrando um mundo novo, falso como tu.
Flores de plástico, pássaros mortos, poesias sem fim.
Me enganastes por muito tempo. Não me enganas mais

Meu último aviso. Vai. Some como a espuma das ondas
Te afoga, enforca, incendeia, faça como queiras, mas vai
Se não for, dou cabo de ti, antes que o faça comigo
Não nasceste comigo e não morrerei por ti.

Vai!!!!!!!!

PAULA CURY 23.09.03



 Escrito por Paula Cury às 16h48 [] [envie esta mensagem]



SEM TÍTULO, COMO EU

 

Sempre tento fazer o melhor

Me entrego sem medo.

Me iludo com o irreal e o torno real aos meus olhos

Meu coração dispara sem ao menos saber por quem

Esse alguém que não me vê, não me sabe e muito menos me crê.

 

Sofro, diariamente sofro, sonho acordada

Invento histórias sem fim

Acredito em sombras, fantasmas e fadas.

Faço meus pedidos

 

Não posso mudar os fatos

queria, na verdade mudar a mim mesma.

Minha vida, minha cara, meu coração.

queria meus pensamentos mais firmes no chão.

 

Agora, neste exato momento

balanço a cabeça e sorrio

Quanta bobagem...

Se não sou como sou não seria eu e sim outro alguém.

Que me importa não ser a tal e coisa e coisa e tal?

 

Sou eu, simplesmente eu

lutando contra a realidade da vida

Sonhando sonhos lindos.. possíveis? Não sei não importa mais

Só quero ter a esperança de que um dia

Sem mais nem menos... eles se realizem..

E só.

 

Paula Cury

2003



 Escrito por Paula Cury às 16h47 [] [envie esta mensagem]



SE UM DIA EU DISSE NÃO

 

Se um dia eu disse não, foi por medo do sim

Se um dia virei o rosto, foi por querer demais seu beijo

Se continuo a dizer não é porque meu coração tem medo

Me acanho ao te encarar.

Quero mas não quero. Quem entende?

 

Um dia, quem sabe, a gente se encontre de novo

Com coragem ou sem, vou me deixar levar.

Se for tudo por água baixo, quem sabe?

Ao menos não sofrerei por não tentar.

 

Ah! Se você me ouvir e eu negar,

Não acredite. Na verdade, quero dizer

O contrário do que disse antes de ter dito.

Não acredite em minhas palavras

Pois eu também não creio.

 

Se eu negar sua boca na minha boca

Beija mesmo assim.

Verá como me entrego sem medo do fim

Não se assuste.  Não tomo conta de mim

 

Se enlaçar tuas pernas nas minhas

Eu vou fingir resistência.

Beija mais um pouco, mais um pouco

Verás em mim tantas pernas quanto as de um polvo

 

Se queiser fazer amor, sexo ou qualquer coisa assim

Vem de vagar, de mansinho, fingindo medo de mim

Se eu me esquivar, mostrando não querer

Me segura forte, sorri e pisca.. e vem logo pra mim.....

 

Vê como sou? Começo de mansinho,

Com palavras bonitas até... e,

Sorrateiramente vou soltando os bichos

Não te largo mais. Ainda me quer?

 

Voltarei a poesia, sem rima e sem nexo

Adoro versos que se perdem na razão

Tento ainda te convencer

Que digo sim quando da minha boca sai um não.

 

Falarei de teus olhos,

claros como o mar em dia de sol

sem ondas e sem o balanço do barco.

Claro, límpido, sem sombras

 

Gritarei das alturas que te quero

Ó grande homem das cavernas

Pega tua clava e me segue, arrebata-me.

Não ficou lindo?



 Escrito por Paula Cury às 16h46 [] [envie esta mensagem]



 (continuação)

Ou talvez se te comparar as noites de lua

Misterioso homem de voz macia.

Infla meu peito de sons e dizeres

Ainda assim não é o suficiente.

 

Ah! Talvez isto te agrade.

Tu, que tiraste de um coração  sombrio

A dor do amor esquecido por tantos anos adormecido

Fraco, realmente fraco ficou.

 

Nada mais vou falar. Palavras.

Palavras, pra que palavras?

Chega perto e sente minha respiração

Sente meu corpo pulsar querendo o seu

 

Pega minha mão trêmula e suada

Percorre meu braço com seus dedos

Ainda lembro de quando isso aconteceu

Vê?  Ainda me arrepio, como a primeira vez.

 

Aproxima seu rosto do meu, não lentamente

Vem de sopetão, não me dê tempo de pensar

E se eu me insinuar, passando meu nariz bem junto ao seu

Aproveita a deixa e me beija, beija, beija.

 

Aonde vamos parar? Não sei nem quero saber

Se, ao menos começar, não vou nem reclamar.

Vem logo, se apressa e não demora.

Pois sou tola o suficiente para não esperar e ir embora.

 

 

PAULA CURY – 26.03.2004



 Escrito por Paula Cury às 16h45 [] [envie esta mensagem]



SAMBINHA SEM NOTA

 

         Se você soubesse como meu corpo treme.

         Quando te vê olhando pra mim (pra mim)

         Sonho contigo, mas te quero ao vivo.

         Você em mim, me excitando assim (assim).

        

         Quero teu corpo.

         Quero tua boca... menino...

         Vem pra mim. Vem, vem.

         Se você não vem eu vou.

         Quero você, meu bem.

         Quero fazer amor (amor).

 

         Enrosca tua perna e  envolve meu corpo.

         Me abraça e me beija no meio da rua (na rua).

         Deixa todo mundo olhar bem torto.

         Aproveita, amor, que eu já sou tua (toda tua).

 

         Quero teu corpo.

         Quero tua boca... menino...

         Vem pra mim. Vem, vem.

         Se você não vem eu vou.

         Quero você, meu bem.

         Quero fazer amor (amor).

 

Paula Cury

1992



 Escrito por Paula Cury às 16h43 [] [envie esta mensagem]



Sádica Alma

 

A fita de seda te serve de chicote.

Açoitas minhas costas mas não feres

Não a carne que da seda não sente

Fere a alma de amor latente.

 

Ata-me em grilhões de biscoito de polvilho

Sinto o peso do ferro que imitam

Esfarela na carne a cada movimento

Sufoca  a alma, aperta sem temor meu sentimento

 

Queres meus olhos baixos,  eu submissa, retraída

Os olhos da alma, estes sádicos olhos

Enxergam teu corpo além de outro corpo

Buscam tua alma  num sussurro não mais que um sopro

 

Ajoelhada, deitada quiçá emaranhada

Contorcida, doída, largada.

Possuis a carne de amor disforme

Esqueces da alma  que a dor consome

 

Sádica ou masoquista, ambas talvez

Não penses que da carne, que essa é nada além

Creia que da alma, dessa que me tortura

Do amor ínfimo e da dor mais pura

 

Nomeia-me como queres. Nada disso importa

Que a dor mais doída que a carne corta

Nada é e nunca será

A dor da alma  que tu nunca terás.

 

Sádica alma

 

 

Paula Cury

19.05.04



 Escrito por Paula Cury às 16h43 [] [envie esta mensagem]



SABE?

 

Sabe aquela coisa de olhar e não conseguir parar??

Sabe aquela vontade de ver a toda hora?

Sabe aquela falta de ar que dá ?

Sabe aquele sorriso bobo que fica preso na cara?

Sabe aquele medo de não saber tudo?

Sabe aquela dúvida do amanhã?

Sabe aquela vontade de estar junto?

Sabe aquela curiosidade de conhecer tudo?

Sabe aquele não saber mais de nada?

Sabe aquela insônia que bate?

Sabe aquela vontade dormir só pra poder sonhar?

Sabe aquela emoção guardada na garganta?

Sabe aquela palavra que não sai de jeito nenhum?

Sabe aquela vontade de olhar mais a fundo?

Sabe aquele olhar maroto de foto?

Sabe aquela timidez gostosa?

Sabe aquela gargalhada alta?

Sabe aquele beijinho esperado?

Sabe aquela vontade de adiantar o tempo?

Sabe aquela vontade de ser?

Sabe aquele receio de não acontecer?

Sabe o que quero agora?

Você....

 

Paula Cury

Junho 2003



 Escrito por Paula Cury às 16h43 [] [envie esta mensagem]



Queria escrever algo, mas não encontro as palavras.

         Poderia procurá-las em algum dicionário, mas que sentido teriam sem emoção?

   &n