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Diálogo em um ato, na escuridão.
Paula Cury... inspirada na mana Bá.
- Olha lá!
- O que?
- Ali!
- Onde?
- Não está vendo?
- Não!
- Ali!
- Onde?
- Olha! Parece um rabo!
- Onde?
- Agora a cabeça?
- Onde?
- O cabelo!
- Onde? Onde?
- Parece um trigal
- Mas onde?
- Sumiu.
- Não vi.
......
- De novo! Olha!
- Ali?
- Isso!
- To vendo!
- O rabo?
- O cabelo!
- O rabo!
- O rabo!
- Tubarão?
- Com cabelo?
- O que será?
- Sereia!
- Não!?!
- Só pode!
- Será?
- Sereia!
- Não acredito.
- Também não.
- Então é ilusão!
- Será?
- Só pode.
- E se for?
- Sereia?
- Sereia!
- Ah, não é não!
- Será?
- Será ou não?
.....
- Melhor voltar.
- Melhor.
- Vai contar?
- Não.
- Por que não?
- Vão dizer que ilusão.
- Ilusão. Sereia?
- Sereia não. Ilusão.
FIM.
Escrito por Paula Cury às 02h52
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Sigo em Frente.
Vou andando, caminhando, assobiando uma canção.
Sigo em frente, destemida, sei que estou na contra-mão.
E digam se estou errada, se é tudo ilusão?
Sigo em frente, decidida, não sou dona da razão
Nem o muro, nem a pedra me tiram a atenção.
Sigo em frente, bem vivida, sem dar bola ao coração.
Até cansada e arrependida, continuo a canção
Sigo em frente, tão sofrida, procurando solução
Não me venha, não me siga, ainda estou na contra-mão.
Sigo em frente, iludida, ainda prefiro a solidão.
Se estou fraca ou perdida, escuto ao longe seu sermão
Sigo em frente, arrependida, de não ter te dado a mão.
Pare!
Não estou sinalizada.!
Paula Cury
31.05.04
01.25hs
Escrito por Paula Cury às 02h52
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QUEM DERA
Quem dera ser Cecília
Quem dera ser Florbela
Falar do amor que nunca tive
Falar da saudade que mata
Quem dera ser Clarice
Quem dera ser Cora
Viver a vida sem medo
Ver a cor da escuridão.
Quem dera ser poeta
Quem dera ser atriz
Escrever sem ler
Fazer chorar sem rir
Quem dera ser
Quem dera ser...
Quem dera ser
Quem sou....
Paula Cury
29.05.04 quase 5:00hs
Escrito por Paula Cury às 06h37
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Marasmo
Acordo tarde
Penso em não levantar
O dia mais curto
Não demora a passar
No rádio o jornal repete
Noticias velhas, sempre ditas.
Não faço falta nesse mundo
Pensamento ruim que me deixa aflita
Não quero cair no silêncio de mim mesma
Quero objetivos à conquistar
Tantas novidades se me apresentam
Não sei ainda o caminho a tomar
Tão sozinha ainda me sinto
Embora você esteja aqui a todo tempo
Queria mais perto, mais presente
De corpo e alma, não só em pensamento.
Paula Cury
28.05.04
Escrito por Paula Cury às 06h37
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Diálogo em um ato e dois olhos
Paula Cury
- Oi!
- Oi!
- Cadê teus olhos?
- Arrancaram!
- Arrancaram?
- Arrancaram!
- Como?
- Com as mãos.
- Os dois de uma vez?
- Um por um, bem devagarzinho
- De que cor eram?
- Azuis!
- Os meus são negros.
- Não vejo.
- Ah! É verdade. Arrancaram.
- É, arrancaram!
- Jogaram fora ou guardaram?
- Estão na gaveta.
- Na gaveta?
- Pra não perder.
- Se perder, compram outros.
- Não compram, não!
- Ah! Compram sim!
- Não! Não! Não compram, não!
(continua)
Escrito por Paula Cury às 23h14
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- Como é teimosa!
- Eu teimosa? Teimosa é você!
- Ta explicado!
- Explicado o que?
- Porque arrancaram.
- Ah! É? Por que arrancaram?
- Você é teimosa
- Não sou teimosa... mas que coisa!
- Deve ter se negado a abrir e a fechar.
- Só uma vez.
- Não falei? Sabia! Teimosa!
- Uma vez só. Não merecia.
- Teimosa!
- Quem é você, afinal?
- Eu sou eu. Que te importa?
- Quero saber pra poder rir.
- Rir?
- Rir!
- Rir do que?
- Quando arrancarem.
- Arrancarem o que?
- Teus olhos.
(continua)
Escrito por Paula Cury às 23h14
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- Meus olhos?
- Teus olhos, como fizeram comigo.
- Jamais!
- Arrancam!
- Nunca!
- Arrancam! Arrancam!
- Não arrancam.
- Como pode ter certeza?
- Não podem.
- Não podem?
- Não podem!
- Por que não podem?
- Não tem como.
- Explica, não me enrola!
- Quer saber?
- Claro que quero!
- Sou de pano e não de plástico.
- Ah! De pano.
- É. De pano.
- Que sorte!
- É, muita sorte.
- Olhos costurados?
- Não. Pintados
- Hum! Não arrancam.
- Eu falei. Não arrancam
.....
.....
- Que barulho é esse?
- É ela.
- Ela?
- Ela!
- De novo?
- De novo!
- De quem será que vai arrancar?
....
- Oi! Você está ai?
- Xiu! Fala baixo!
- Falar baixo?
- É! Fala baixo.
- Ué! Por que? Não precisa temer.
- Já falei. Fala baixo.
- De você ela não arranca. Não tem como
- Na mão!
- Na mão?
- É. Na mão!
- O que tem na mão?
- Uma tesouraaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!
FIM.
Escrito por Paula Cury às 23h13
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A RIMA QUE ME PARTIU
Fui buscar nos olhos teus
A rima que partiu dos olhos meus
Abro ali, fecho lá
E mesmo aí ela não está.
Pego a lupa e continuo
Onde está? Onde está?
Nem no claro, nem no escuro
Nem aqui, nem acolá
Já cansei de procurar
E começo a divagar
Se perdi, perdida está
Desde agora, desde já.
Partiu a rima
A rima que me partiu.
( partiu a rima dos olhos meus....
Troco a rima pelos olhos teus....)
Paula Cury
25.05.04
Escrito por Paula Cury às 23h04
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HOMEM MORCEGO
14:00... plantão novamente.
A mesa... a mesma mesa de sempre.
Sento e espero ele passar.
Passos largos, quase voadores cruzam o corredor.
Homem de asas negras.
Queria eu estar presa a elas.
Dançar sua dança, embolada na fibra do bater de suas asas.
Queria eu, e como queria, penetrar por entre as asas, subir sorrateiramente pelo corpo, analisando, assimilando, milímetro por milímetro. Subir cada vez mais e, de repente, não mais que de repente, sair de dentro da gola, olhar seus olhos por um segundo apenas, ou menos talvez....
Abocanhar seus lábios. Sugar um beijo roubado... grudar em seu corpo... Ter asas também...Voar em seus passos.. bailar em sua fibra...
Meu homem morcego... .... um Juiz de Direito.
Paula Cury
25/05/04
Escrito por Paula Cury às 23h04
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Mudança!
Mudança!
Me irrita, me irrita, me irrita.
Toda vez que digo: vou mudar.
- Por que? Pra onde? De novo?
- É.. ta caro... ta caro.
- Não te disse?
Você não ganha pra isso!
- Há! Já sei...
Ta querendo enguiço.
-Presta atenção
IPTU e condomínio
- Ta! Ta! Ta!
Já sei de tudo isso.
-Ë maior ou é menor?
-Se for maior você reclama
Se for menor
Não cabe nem a cama
-Prédio, sobrado, casa ou loft?
-Não sei, to procurando
Pego pelo preço
Não sou a Laura Croft!
-Quem é essa?
-Sei lá eu.
Precisava rimar Soft.
Entendeu?
-Entendi.
-É
Liberdade custa caro
-Nem me diga
Já vendi o carro.
-Voltando a mudança
É fiador ou depósito
- É promessa , meu filho.
E vê se não me cansa.
Paula Cury
24.05.04
Escrito por Paula Cury às 01h36
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SUTIL LOUCURA
A paz que penetra no meu corpo
É inexplicável
O mundo lá fora é calmo
Tudo é lindo, tudo tão suave
Esse alívio da vida
A inconstância do Ser me enlouquece
Essa loucura que procuro
A maravilha que é a vida
Tudo gira com harmonia
Tudo me envolve como brisa
E eu relaxo nesse mundo
Sutilmente vivo
Tudo gira
Em volta dessa
Sutil loucura.
Paula Cury
1987
Escrito por Paula Cury às 22h06
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Vens como quem não quer nada
Vens como quem não quer nada
Toca e destoca minha alma
Fala, sempre fala e como fala
Não me ouve, não me ouve.
Ah. Tua voz me faz falta
Não me importo em calar
Apenas ouvir sem parar
O que me diz, sem querer dizer
O que falou não sei.
Ouço apenas o som macio
A risada acanhada
O tom grave e silencioso
Fala mais, não para!
Que importa o assunto?
Que importa outras vozes?
Importa você.. sua voz.. e só.
O fio de esperança... ainda pouco dito
Aparece em som... em voz ...
É acalanto para minha pobre alma
É alimento para meu coração.
Não percebes, é certo,
O quanto preciso e quero você.
Imaginação minha? Quem sabe?
Fiz de você meu sol.. minha lua... minhas estrelas
Não acreditas, claro que não.
Quem haveria de acreditar?
Meu escudo não mostra
O coração que sangra por dentro
(continua)
Escrito por Paula Cury às 17h00
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(continuação)
Dá-me tua mão e pousa-a em meu peito
Sente o descompasso ... arritmia
Acredita em mim
É por você que ele bate assim.
Vou e volto e não digo o que quero
Não existe expressão capaz
Que descreva o que passa... o que sinto
Nada nem ninguém sabe... nem tão pouco eu
A fumaça do café te busca
A fumaça do café não te traz
A fumaça do café se esvai
A fumaça do café.... a fumaça do café...
Não entendes o que digo
Nem tão pouco eu
Que importa, agora?
Estou sorrindo, não basta?
Ter você... Ah! Havia me esquecido
Terei ou não terei... perguntas... só perguntas
Agora, neste exato momento
O que importa?
O sonho
A voz
A esperança
Você.
Paula Cury 03.05.04 15:12
Escrito por Paula Cury às 16h59
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VOCÊ, VOCÊ, VOCÊ.
Invento histórias e você está em todas elas.
Por que será?
Joguei todas as minhas forças em cima de você. Sofro.
Será que passa?
Será que, se eu encontrar outra pessoa, você vai continuar em meus pensamentos?
Tentei, já, várias vezes, mas você rompe em gargalhadas entrando em meus sonhos, entrando cada vez mais na minha vida.
Quero você agora!
Te tenho apenas em sonho. Não consigo te afastar. Te esquecer. Ou não quero te afastar. Fico me iludindo com a possibilidade de te ter.
Engraçado!.
É. Muito engraçado. Acabei de ter a idéia de escrever uma carta anônima para você. Pode? Coisa mais tola!
Estou ouvindo a fita que gravei para te dar no teu aniversário e para variar, na última hora, desisti.
Às vezes acho que você abusa do meu sentimento. Às vezes penso ser alguma demonstração de afeto, mas aí me lembro de que você faz isso com todos e PUMBA!!!
Cai o meu mundo outra vez.
Paula Cury
São Paulo 31/03/1994
Escrito por Paula Cury às 16h52
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Tic-tac..
Horas....
Só os ponteiros do relógio fazem companhia
O tic-tac infernal toma conta do silêncio
Voltas e voltas... só ponteiros.
Nem paredes, portas e janelas
Nem tapetes, cortinas e almofadas
Nem revistas, livros e folhetins
Nem novelas, filmes e propagandas
Tic-tac ... tic-tac.. só tic-tac
Mais uma hora …
Outra hora mais....
Mais outra...
Quantas horas ainda?
Cansada…
O tic-tac infernal
Só as horas
Só os ponteiros por companhia....
Tic-tac......
Paula Cury
17/05/04
Escrito por Paula Cury às 16h48
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SOLIDÃO
Ah! Solidão vil, que corta minha alma em pedaços. Inebria meus pensamentos de pérolas rachadas Descortina a verdade que tento esconder.. Arde no peito sem razão.. sem motivo de ser
Ah! Solidão maldita!! Irrestrita e temerária Larga de mim. Larga de minha alma, deixa-me fluir Saltar os campos, buscar as flores.. sentir os cheiros de amores Gritar ao léu.. com a força de minhas entranhas
Desprende de mim, solidão, solta meu corpo que quero arder.. Maldita! Maldita sejas tu, solidão cruel Atiça meu corpo, ferve meu sangue, arrebenta a garganta Transborda de meus olhos, solidão, para nunca mais
Ah! Solidão, que atormenta minhas noites choradas em vão. Vai-te daqui em busca de outro ser não vivente. Sai e não volta. Cansei de ti, não vês? Jogo-te as pedras das minhas dores,
Te renego com todas as minhas forças Cada soluço que me roubastes, cada lagrima que derrubei. Culpa tua, somente tua, criminosa. Como te odeio Excomungo sua existência, limpo meu ser. Nada quero de ti
Cuspo-lhe as mágoas, as desilusões que te trouxeram Esquartejo tua razão, tua sólida razão que não me serve Arranco tuas raízes sem dó. Nada mais quero de ti, nem teu nome quero ouvir.
Vai! Vai agora para nunca mais. Teu lugar não é aqui... Deixa-me viver. Deixa-me amar. Deixa-me querer De ti nada ficará. Uma lembrança sequer. Te expulso e te mato. Foge, antes que seja tarde.
Acredite em minha sanidade e some. Não estou mais louca, Sem sentido e sem razão. Ah! Não estou mais não. Estou ávida por vingança e tu, na minha frente, minha única vítima. Não há punição a quem mata por justiça.
Se te quis algum dia foi por não saber, não te conhecer. Me encheu de ilusão, mostrando um mundo novo, falso como tu. Flores de plástico, pássaros mortos, poesias sem fim. Me enganastes por muito tempo. Não me enganas mais
Meu último aviso. Vai. Some como a espuma das ondas Te afoga, enforca, incendeia, faça como queiras, mas vai Se não for, dou cabo de ti, antes que o faça comigo Não nasceste comigo e não morrerei por ti.
Vai!!!!!!!!
PAULA CURY 23.09.03
Escrito por Paula Cury às 16h48
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SEM TÍTULO, COMO EU
Sempre tento fazer o melhor
Me entrego sem medo.
Me iludo com o irreal e o torno real aos meus olhos
Meu coração dispara sem ao menos saber por quem
Esse alguém que não me vê, não me sabe e muito menos me crê.
Sofro, diariamente sofro, sonho acordada
Invento histórias sem fim
Acredito em sombras, fantasmas e fadas.
Faço meus pedidos
Não posso mudar os fatos
queria, na verdade mudar a mim mesma.
Minha vida, minha cara, meu coração.
queria meus pensamentos mais firmes no chão.
Agora, neste exato momento
balanço a cabeça e sorrio
Quanta bobagem...
Se não sou como sou não seria eu e sim outro alguém.
Que me importa não ser a tal e coisa e coisa e tal?
Sou eu, simplesmente eu
lutando contra a realidade da vida
Sonhando sonhos lindos.. possíveis? Não sei não importa mais
Só quero ter a esperança de que um dia
Sem mais nem menos... eles se realizem..
E só.
Paula Cury
2003
Escrito por Paula Cury às 16h47
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SE UM DIA EU DISSE NÃO
Se um dia eu disse não, foi por medo do sim
Se um dia virei o rosto, foi por querer demais seu beijo
Se continuo a dizer não é porque meu coração tem medo
Me acanho ao te encarar.
Quero mas não quero. Quem entende?
Um dia, quem sabe, a gente se encontre de novo
Com coragem ou sem, vou me deixar levar.
Se for tudo por água baixo, quem sabe?
Ao menos não sofrerei por não tentar.
Ah! Se você me ouvir e eu negar,
Não acredite. Na verdade, quero dizer
O contrário do que disse antes de ter dito.
Não acredite em minhas palavras
Pois eu também não creio.
Se eu negar sua boca na minha boca
Beija mesmo assim.
Verá como me entrego sem medo do fim
Não se assuste. Não tomo conta de mim
Se enlaçar tuas pernas nas minhas
Eu vou fingir resistência.
Beija mais um pouco, mais um pouco
Verás em mim tantas pernas quanto as de um polvo
Se queiser fazer amor, sexo ou qualquer coisa assim
Vem de vagar, de mansinho, fingindo medo de mim
Se eu me esquivar, mostrando não querer
Me segura forte, sorri e pisca.. e vem logo pra mim.....
Vê como sou? Começo de mansinho,
Com palavras bonitas até... e,
Sorrateiramente vou soltando os bichos
Não te largo mais. Ainda me quer?
Voltarei a poesia, sem rima e sem nexo
Adoro versos que se perdem na razão
Tento ainda te convencer
Que digo sim quando da minha boca sai um não.
Falarei de teus olhos,
claros como o mar em dia de sol
sem ondas e sem o balanço do barco.
Claro, límpido, sem sombras
Gritarei das alturas que te quero
Ó grande homem das cavernas
Pega tua clava e me segue, arrebata-me.
Não ficou lindo?
Escrito por Paula Cury às 16h46
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(continuação)
Ou talvez se te comparar as noites de lua
Misterioso homem de voz macia.
Infla meu peito de sons e dizeres
Ainda assim não é o suficiente.
Ah! Talvez isto te agrade.
Tu, que tiraste de um coração sombrio
A dor do amor esquecido por tantos anos adormecido
Fraco, realmente fraco ficou.
Nada mais vou falar. Palavras.
Palavras, pra que palavras?
Chega perto e sente minha respiração
Sente meu corpo pulsar querendo o seu
Pega minha mão trêmula e suada
Percorre meu braço com seus dedos
Ainda lembro de quando isso aconteceu
Vê? Ainda me arrepio, como a primeira vez.
Aproxima seu rosto do meu, não lentamente
Vem de sopetão, não me dê tempo de pensar
E se eu me insinuar, passando meu nariz bem junto ao seu
Aproveita a deixa e me beija, beija, beija.
Aonde vamos parar? Não sei nem quero saber
Se, ao menos começar, não vou nem reclamar.
Vem logo, se apressa e não demora.
Pois sou tola o suficiente para não esperar e ir embora.
PAULA CURY – 26.03.2004
Escrito por Paula Cury às 16h45
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SAMBINHA SEM NOTA
Se você soubesse como meu corpo treme.
Quando te vê olhando pra mim (pra mim)
Sonho contigo, mas te quero ao vivo.
Você em mim, me excitando assim (assim).
Quero teu corpo.
Quero tua boca... menino...
Vem pra mim. Vem, vem.
Se você não vem eu vou.
Quero você, meu bem.
Quero fazer amor (amor).
Enrosca tua perna e envolve meu corpo.
Me abraça e me beija no meio da rua (na rua).
Deixa todo mundo olhar bem torto.
Aproveita, amor, que eu já sou tua (toda tua).
Quero teu corpo.
Quero tua boca... menino...
Vem pra mim. Vem, vem.
Se você não vem eu vou.
Quero você, meu bem.
Quero fazer amor (amor).
Paula Cury
1992
Escrito por Paula Cury às 16h43
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Sádica Alma
A fita de seda te serve de chicote.
Açoitas minhas costas mas não feres
Não a carne que da seda não sente
Fere a alma de amor latente.
Ata-me em grilhões de biscoito de polvilho
Sinto o peso do ferro que imitam
Esfarela na carne a cada movimento
Sufoca a alma, aperta sem temor meu sentimento
Queres meus olhos baixos, eu submissa, retraída
Os olhos da alma, estes sádicos olhos
Enxergam teu corpo além de outro corpo
Buscam tua alma num sussurro não mais que um sopro
Ajoelhada, deitada quiçá emaranhada
Contorcida, doída, largada.
Possuis a carne de amor disforme
Esqueces da alma que a dor consome
Sádica ou masoquista, ambas talvez
Não penses que da carne, que essa é nada além
Creia que da alma, dessa que me tortura
Do amor ínfimo e da dor mais pura
Nomeia-me como queres. Nada disso importa
Que a dor mais doída que a carne corta
Nada é e nunca será
A dor da alma que tu nunca terás.
Sádica alma
Paula Cury
19.05.04
Escrito por Paula Cury às 16h43
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SABE?
Sabe aquela coisa de olhar e não conseguir parar??
Sabe aquela vontade de ver a toda hora?
Sabe aquela falta de ar que dá ?
Sabe aquele sorriso bobo que fica preso na cara?
Sabe aquele medo de não saber tudo?
Sabe aquela dúvida do amanhã?
Sabe aquela vontade de estar junto?
Sabe aquela curiosidade de conhecer tudo?
Sabe aquele não saber mais de nada?
Sabe aquela insônia que bate?
Sabe aquela vontade dormir só pra poder sonhar?
Sabe aquela emoção guardada na garganta?
Sabe aquela palavra que não sai de jeito nenhum?
Sabe aquela vontade de olhar mais a fundo?
Sabe aquele olhar maroto de foto?
Sabe aquela timidez gostosa?
Sabe aquela gargalhada alta?
Sabe aquele beijinho esperado?
Sabe aquela vontade de adiantar o tempo?
Sabe aquela vontade de ser?
Sabe aquele receio de não acontecer?
Sabe o que quero agora?
Você....
Paula Cury
Junho 2003
Escrito por Paula Cury às 16h43
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Queria escrever algo, mas não encontro as palavras.
Poderia procurá-las em algum dicionário, mas que sentido teriam sem emoção?
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